Mostrando postagens com marcador Brecht. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brecht. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 7 de março de 2011
Der Silbersee - a última ópera de Kurt Weill, antes do exílio.
Jhering - A seu olhos, o drama épico vem de uma tradição frequentemente ignorada. No entanto, você sugere que toda a literatura, há pelo menos cinquenta anos, aponta para ele. Qual é, expressamente, na sua opiñião, o último representante dessa tendência?
Brecht - Georg Kaiser.
Jhering - Espere, acho que não estou acompanhando o seu raciocínio. Afinal, Georg Kaiser me parece justamente encarnarnar a derradeira peripécia do drama individualista, portanto de um drama que, mais precisamente, se opõe ao drama épico. Kaiser é um autor de visão curta. Ele esgotou seus assuntos ao mergulhá-los em seu estilo, e pelo estilo ele trespassou a realidade, sem tocá-la. O que podemos apreender desse estilo? O estilo de Kaiser é uma escrita muito pessoal, um estilo privado...
Brecht - Exatamente! Kaiser é também um individualista. Mas, ainda assim, há algo em sua técnica que não se coaduna ao individualismo e que, portanto, nos convém. O drama não é o único domínio em que, embora com prejuízo de qualquer outra forma de progresso, podemos constatar um progresso da técnica. De um ponto de vista técnico, a usina à Ford é uma organização bolchevique; ela não vai bem com o indivíduo burguês, ela cai melhor numa sociedade bolchevique. Nesse sentido, Kaiser renuncia, já, na sua técnica, a esse grande subterfúgio shakespeareano que é o efeito de sugestão - essa sugestão que se manifesta à maneira de uma epilepsia: o epilético arrasta para a epilepsia todos os que são propensos a essa afecção de espírito. Mas Kaiser, ao contrário, em suas peças, já convoca à razão.
(Bertolt Brecht. La marche vers le theatre contemporain, In: Écrits sur le Theatre, Vol 1, p. 150-151. Tradução, por Geni)
Abaixo, link para a Märchenoper (ópera conto de fadas) Der Silbersee, de 1933, composta por Kurt Weill sobre libreto de Georg Kaiser. Sua estreia foi perturbada e interrompida por partidários do nazismo, evento que foi decisivo para a emigração de Weill, ainda no mesmo ano.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Reflexões sobre o debate Brecht-Lukács
Ensaio de Fredric Jameson sobre o debate entre Brecht e Lukács (em espanhol) - El debate entre realismo e modernismo [pdf]. Fonte: Youkali
Ensaio originalmente publicado, sob o título "Reflections in conclusion", como posfácio ao volume Aesthetics and Politics (Verso, 1977) e depois republicado como "Reflections on the Brecht-Lukács Debate", em The Ideologies of Theory.
Ensaio originalmente publicado, sob o título "Reflections in conclusion", como posfácio ao volume Aesthetics and Politics (Verso, 1977) e depois republicado como "Reflections on the Brecht-Lukács Debate", em The Ideologies of Theory.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A Ópera dos Três Vinténs

Filme de G. W. Pabst - Die Dreigroschenoper (1931), com roteiro de Béla Balázs e outros, adaptando a peça de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Com legendas em inglês. [rapidshare]
Baixar todas as partes e extrair, com Winrar, os arquivos de imagem de DVD (.iso) [2 DVDs, 7.96 GBs / 8.13 GBs]. Os arquivos .iso podem ser gravados em DVD-DL ou emulados com DaemonTools.
Também em DVD-Rip (avi). [A página inclui link para legendas em inglês.]
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Os Carrascos Também Morrem

Filme de Fritz Lang - Hangmen Also Die! (1943), com roteiro de Bertolt Brecht. [mpg4] [Baixar todas as partes e descompactar com Winrar.] Em inglês. Legendas aqui.
sábado, 12 de setembro de 2009
Brecht & Weill
Weill & Brecht - Die Dreigroschenoper (gravado em 1958) [mp3] - com Lotte Lenya
Ute Lemper sings Kurt Weill, vols. 1 & 2 (1988, 1993) [flac] ou aqui: vol. 1 e vol. 2 [mp3]
Anne Sofie von Otter - Speak Low: Songs by Kurt Weill (1995) [flac]
Erotische Gedichte (2006) [audiobook, em alemão] - textos eróticos de Bertolt Brecht lidos por Blixa Bargeld (o guitarrista de Nick Cave & The Bad Seeds e líder do Einstürzende Neubauten).
Ute Lemper sings Kurt Weill, vols. 1 & 2 (1988, 1993) [flac] ou aqui: vol. 1 e vol. 2 [mp3]
Anne Sofie von Otter - Speak Low: Songs by Kurt Weill (1995) [flac]
Erotische Gedichte (2006) [audiobook, em alemão] - textos eróticos de Bertolt Brecht lidos por Blixa Bargeld (o guitarrista de Nick Cave & The Bad Seeds e líder do Einstürzende Neubauten).
sábado, 15 de agosto de 2009
Livros de e sobre Brecht
Livros de Bertolt Brecht:
Sobre Brecht:
- Geschichten vom Herrn Keuner (em alemão) [pdf]
- Kalendergeschichten (em alemão) [pdf]
- Historias de Almanaque (em espanhol) [pdf]
Sobre Brecht:
- Ensaio de Terry Eagleton - Brecht and Rhetoric [pdf]
- Martine Béland & Myrtô Dutrisac - Weimar, ou, L'hyperinflation du sens: portraits et exil(2009) [pdf] - traz capítulo sobre Brecht.
- Astrid Oesmann - Staging History: Brecht's Social Concepts of Ideology (2005) [pdf]
- John J. White - Bertolt Brecht's Dramatic Theory (2004) [pdf]
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Livros de e sobre Benjamin
Livros (em inglês) de Walter Benjamin:
- The Arcades Project [pdf] - também conhecido como Trabalho das Passagens.
- Illuminations [pdf] - coletânea de ensaios
- The Work of Art in the Age of Its Technological Reproducibility, and Other Writings on Media [pdf] - nova coletânea de textos
- Nicolas Whybrow - Street Scenes: Brecht, Benjamin and Berlin (2004)
- Tim Beasley-Murray - Mikhail Bakhtin and Walter Benjamin: Experience and Form (2008)
sábado, 30 de maio de 2009
Pressupostos do teatro épico

Palestra de Iná Camargo Costa - Brecht e o teatro épico (2005) (em pdf, no 4shared)
[Para baixar o arquivo, clicar no botão "Download now", esperar o link aparecer e clicar no link.]
domingo, 4 de janeiro de 2009
Kuhle Wampe - completo

Kuhle Wampe oder: Wem gehört die Welt? (1932), filme de Slatan Dudow e Bertolt Brecht, na íntegra. Recomenda-se baixar o arquivo MPEG1, de 717 MB.
(Fonte: Internet Archive)
Legendas em inglês: www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3293857/kuhle-wampe-oder-wem-gehort-die-welt-en
O filme tem música de Hanns Eisler.
Dirigido por um búlgaro que estudou a montagem de Eisentein, baseado em roteiro original co-escrito por Bertolt Brecht e com música de Hanns Eisler, Kuhle Wampe foi o primeiro - e o último - filme alemão do período a expressar um ponto de vista abertamente comunista. Milhares de esquerdistas anti-Hitler se ofereceram como extras para as cenas de multidão. O filme conta a história de uma família berlinense de desempregados que, em vez de voltar-se para o fascismo, encontra conforto ao unir-se a outros cidadãos sem trabalho na periferia da cidade e encontra esperança participando de um festival de esportes patrocinado por sindicalistas radiciais. O filme foi banido instantaneamente pelo governo por insultar o Reich e a religião e pelas cenas de nudez. É uma pena que Kuhle Wampe tenha se tornado apenas uma nota de rodapé na história do cinema, pois em nenhum outro filme a teoria estética e política de Brecht foi tão bem dramatizada e iluminada. (Harvard Film Archive)
- Roteiro de Kuhle Wampe, por Bertolt Brecht e Ernst Ottwald (em inglês).
Dois textos de Brecht em que fala sobre Kuhle Wampe:
(Fonte: E.J.Campfield)
Artigos sobre o filme:
Gal Kirn - Kuhle Wampe: Politics of Montage, De-montage of Politics? (Film-Philosophy, Volume 11, No. 1, 2007); em pdf.
(Fonte: Film-Philosophy)
A. F. Ramos - Bertolt Brecht e o cinema alemão dos anos 1920 (Fênix: revista de História e Estudos Culturais, vol.3, n.3, 2006); em pdf.
(Fonte: Fênix)
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Brecht nos EUA
Depoimento de Bertolt Brecht diante do "Comitê de atividades antiamericanas", que investigava a "infiltração comunista na indústria cinematográfica".
(Fonte: site da revista Cultura Vozes, atualmente fora do ar, mas resgatado por meio do site Internet Archive: Wayback Machine)
Arquivos sobre Brecht na página oficial do FBI, que contém também arquivos sobre Hanns Eisler.
(Fonte: site da revista Cultura Vozes, atualmente fora do ar, mas resgatado por meio do site Internet Archive: Wayback Machine)
Arquivos sobre Brecht na página oficial do FBI, que contém também arquivos sobre Hanns Eisler.
domingo, 23 de novembro de 2008
An die Nachgeborenen
Bertolt Brecht lendo "An die Nachgeborenen":
Um arquivo de áudio pode ser baixado aqui.
An die Nachgeborenen
Bertolt Brecht
I
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
Das arglose Wort ist töricht. Eine glatte Stirn
Deutet auf Unempfindlichkeit hin. Der Lachende
Hat die furchtbare Nachricht
Nur noch nicht empfangen.
Was sind das für Zeiten, wo
Ein Gespräch über Bäume fast ein Verbrechen ist
Weil es ein Schweigen über so viele Untaten einschließt!
Der dort ruhig über die Straße geht
Ist wohl nicht mehr erreichbar für seine Freunde
Die in Not sind?
Es ist wahr: Ich verdiene nur noch meinen Unterhalt
Aber glaubt mir: das ist nur ein Zufall. Nichts
Von dem, was ich tue, berechtigt mich dazu, mich sattzuessen.
Zufällig bin ich verschont. (Wenn mein Glück aussetzt, bin ich verloren.)
Man sagt mir: Iss und trink du! Sei froh, dass du hast!
Aber wie kann ich essen und trinken, wenn
Ich dem Hungernden entreiße, was ich esse, und
Mein Glas Wasser einem Verdursteten fehlt?
Und doch esse und trinke ich.
Ich wäre gerne auch weise.
In den alten Büchern steht, was weise ist:
Sich aus dem Streit der Welt halten und die kurze Zeit
Ohne Furcht verbringen
Auch ohne Gewalt auskommen
Böses mit Gutem vergelten
Seine Wünsche nicht erfüllen, sondern vergessen
Gilt für weise.
Alles das kann ich nicht:
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
II
In die Städte kam ich zur Zeit der Unordnung
Als da Hunger herrschte.
Unter die Menschen kam ich zu der Zeit des Aufruhrs
Und ich empörte mich mit ihnen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
Mein Essen aß ich zwischen den Schlachten
Schlafen legte ich mich unter die Mörder
Der Liebe pflegte ich achtlos
Und die Natur sah ich ohne Geduld.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
Die Straßen führten in den Sumpf zu meiner Zeit.
Die Sprache verriet mich dem Schlächter.
Ich vermochte nur wenig. Aber die Herrschenden
Saßen ohne mich sicherer, das hoffte ich.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
Die Kräfte waren gering. Das Ziel
Lag in großer Ferne
Es war deutlich sichtbar, wenn auch für mich
Kaum zu erreichen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
III
Ihr, die ihr auftauchen werdet aus der Flut
In der wir untergegangen sind
Gedenkt
Wenn ihr von unseren Schwächen sprecht
Auch der finsteren Zeit
Der ihr entronnen seid.
Gingen wir doch, öfter als die Schuhe die Länder wechselnd
Durch die Kriege der Klassen, verzweifelt
Wenn da nur Unrecht war und keine Empörung.
Dabei wissen wir doch:
Auch der Hass gegen die Niedrigkeit
Verzerrt die Züge.
Auch der Zorn über das Unrecht
Macht die Stimme heiser. Ach, wir
Die wir den Boden bereiten wollten für Freundlichkeit
Konnten selber nicht freundlich sein.
Ihr aber, wenn es soweit sein wird
Dass der Mensch dem Menschen ein Helfer ist
Gedenkt unsrer
Mit Nachsicht.
Fonte: http://users.skynet.be/lit/brecht.htm
À POSTERIDADE
I
Não há dúvida que vivo numa idade escura!
Uma palavra sem malícia é um absurdo. Uma fronte suave
Revela um coração duro. Aquele que está rindo
Ainda não escutou
As terríveis notícias.
Ah, que tempo é este
Em que falar de árvores é quase um crime
Por ser de certo modo silenciar sobre injustiças!
E aquele que tranqüilamente atravessa a rua
Não está fora do alcance de seus amigos
Em perigo?
É verdade: ganho minha vida
Mas, palavra de honra, é só por acidente.
Nada que eu faço me dá direito a meu pão.
Por acaso fui poupado: se minha sorte me abandona
Estou perdido.
Há quem me diga: come e bebe. Dá-te por satisfeito
Mas como é que posso comer e beber
Se meu pão foi arrebatado aos famintos
E meu copo d'água pertence aos sedentos?
E mesmo assim como e bebo.
Gostaria de ser sábio.
Os livros antigos nos informam o que é sabedoria:
Evita os embates do mundo, vive tua curta vida
Sem temer ninguém
Sem recorrer à violência
Pagando o mal com o bem -
Não a satisfação do desejo mas o alheamento
Passa por sabedoria.
Eu não posso fazer nada disso:
Não há dúvida que vivo numa idade escura!
II
Cheguei às cidades num tempo de desordem
Quando a fome imperava.
Cheguei entre os homens num tempo de levante
E com eles revoltei-me.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
Comi meu pão entre massacres.
A sombra do assassínio pairou sobre meu sono
E nas vezes que amei, amei com indiferença.
Considerei minha natureza com impaciência.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
No meu tempo as ruas conduziam à fama gulosa
O que eu dizia me atraiçoava ao carrasco.
Pouca coisa podia fazer. Porém sem mim
Os dominantes ter-se-iam sentido mais seguros.
Pelo menos era essa a minha esperança.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
Pequena era a força dos homens. O objetivo
Ficava muito longe.
Fácil de ver, embora para mim
Quase inatingível.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
III
Vós que emergireis deste dilúvio
Em que nos afundamos
Pensai -
Quando falardes em nossas fraquezas -
Também na idade escura
Que lhes deu origem.
Pois assim passamos, mudando de país como de sapatos
Na luta de classes, desesperando
Quando só havia injustiça e nenhuma resistência.
Pois sabíamos até bem demais
O próprio ódio da imundície
Faz a fronte ficar severa.
A própria raiva contra a injustiça
Faz a voz ficar áspera. Ai de nós, nós que
Queríamos lançar as bases da bondade
Não pudemos nós mesmos ser bondosos
Mas vós, quando afinal acontecer
Que o homem possa ajudar seu próximo
Não nos julgueis
Com muita severidade...
(Tradução de Mário Faustino)
Corre na internet uma tradução incompleta do poema, sob o título "Aos que virão depois de nós". Manuel Bandeira fez uma versão (inexata) sob o título "Aos que vierem depois de nós".
Um arquivo de áudio pode ser baixado aqui.
An die Nachgeborenen
Bertolt Brecht
I
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
Das arglose Wort ist töricht. Eine glatte Stirn
Deutet auf Unempfindlichkeit hin. Der Lachende
Hat die furchtbare Nachricht
Nur noch nicht empfangen.
Was sind das für Zeiten, wo
Ein Gespräch über Bäume fast ein Verbrechen ist
Weil es ein Schweigen über so viele Untaten einschließt!
Der dort ruhig über die Straße geht
Ist wohl nicht mehr erreichbar für seine Freunde
Die in Not sind?
Es ist wahr: Ich verdiene nur noch meinen Unterhalt
Aber glaubt mir: das ist nur ein Zufall. Nichts
Von dem, was ich tue, berechtigt mich dazu, mich sattzuessen.
Zufällig bin ich verschont. (Wenn mein Glück aussetzt, bin ich verloren.)
Man sagt mir: Iss und trink du! Sei froh, dass du hast!
Aber wie kann ich essen und trinken, wenn
Ich dem Hungernden entreiße, was ich esse, und
Mein Glas Wasser einem Verdursteten fehlt?
Und doch esse und trinke ich.
Ich wäre gerne auch weise.
In den alten Büchern steht, was weise ist:
Sich aus dem Streit der Welt halten und die kurze Zeit
Ohne Furcht verbringen
Auch ohne Gewalt auskommen
Böses mit Gutem vergelten
Seine Wünsche nicht erfüllen, sondern vergessen
Gilt für weise.
Alles das kann ich nicht:
Wirklich, ich lebe in finsteren Zeiten!
II
In die Städte kam ich zur Zeit der Unordnung
Als da Hunger herrschte.
Unter die Menschen kam ich zu der Zeit des Aufruhrs
Und ich empörte mich mit ihnen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
Mein Essen aß ich zwischen den Schlachten
Schlafen legte ich mich unter die Mörder
Der Liebe pflegte ich achtlos
Und die Natur sah ich ohne Geduld.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
Die Straßen führten in den Sumpf zu meiner Zeit.
Die Sprache verriet mich dem Schlächter.
Ich vermochte nur wenig. Aber die Herrschenden
Saßen ohne mich sicherer, das hoffte ich.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
Die Kräfte waren gering. Das Ziel
Lag in großer Ferne
Es war deutlich sichtbar, wenn auch für mich
Kaum zu erreichen.
So verging meine Zeit
Die auf Erden mir gegeben war.
III
Ihr, die ihr auftauchen werdet aus der Flut
In der wir untergegangen sind
Gedenkt
Wenn ihr von unseren Schwächen sprecht
Auch der finsteren Zeit
Der ihr entronnen seid.
Gingen wir doch, öfter als die Schuhe die Länder wechselnd
Durch die Kriege der Klassen, verzweifelt
Wenn da nur Unrecht war und keine Empörung.
Dabei wissen wir doch:
Auch der Hass gegen die Niedrigkeit
Verzerrt die Züge.
Auch der Zorn über das Unrecht
Macht die Stimme heiser. Ach, wir
Die wir den Boden bereiten wollten für Freundlichkeit
Konnten selber nicht freundlich sein.
Ihr aber, wenn es soweit sein wird
Dass der Mensch dem Menschen ein Helfer ist
Gedenkt unsrer
Mit Nachsicht.
Fonte: http://users.skynet.be/lit/brecht.htm
À POSTERIDADE
I
Não há dúvida que vivo numa idade escura!
Uma palavra sem malícia é um absurdo. Uma fronte suave
Revela um coração duro. Aquele que está rindo
Ainda não escutou
As terríveis notícias.
Ah, que tempo é este
Em que falar de árvores é quase um crime
Por ser de certo modo silenciar sobre injustiças!
E aquele que tranqüilamente atravessa a rua
Não está fora do alcance de seus amigos
Em perigo?
É verdade: ganho minha vida
Mas, palavra de honra, é só por acidente.
Nada que eu faço me dá direito a meu pão.
Por acaso fui poupado: se minha sorte me abandona
Estou perdido.
Há quem me diga: come e bebe. Dá-te por satisfeito
Mas como é que posso comer e beber
Se meu pão foi arrebatado aos famintos
E meu copo d'água pertence aos sedentos?
E mesmo assim como e bebo.
Gostaria de ser sábio.
Os livros antigos nos informam o que é sabedoria:
Evita os embates do mundo, vive tua curta vida
Sem temer ninguém
Sem recorrer à violência
Pagando o mal com o bem -
Não a satisfação do desejo mas o alheamento
Passa por sabedoria.
Eu não posso fazer nada disso:
Não há dúvida que vivo numa idade escura!
II
Cheguei às cidades num tempo de desordem
Quando a fome imperava.
Cheguei entre os homens num tempo de levante
E com eles revoltei-me.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
Comi meu pão entre massacres.
A sombra do assassínio pairou sobre meu sono
E nas vezes que amei, amei com indiferença.
Considerei minha natureza com impaciência.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
No meu tempo as ruas conduziam à fama gulosa
O que eu dizia me atraiçoava ao carrasco.
Pouca coisa podia fazer. Porém sem mim
Os dominantes ter-se-iam sentido mais seguros.
Pelo menos era essa a minha esperança.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
Pequena era a força dos homens. O objetivo
Ficava muito longe.
Fácil de ver, embora para mim
Quase inatingível.
E assim passou-se o tempo
Que me foi dado sobre a terra.
III
Vós que emergireis deste dilúvio
Em que nos afundamos
Pensai -
Quando falardes em nossas fraquezas -
Também na idade escura
Que lhes deu origem.
Pois assim passamos, mudando de país como de sapatos
Na luta de classes, desesperando
Quando só havia injustiça e nenhuma resistência.
Pois sabíamos até bem demais
O próprio ódio da imundície
Faz a fronte ficar severa.
A própria raiva contra a injustiça
Faz a voz ficar áspera. Ai de nós, nós que
Queríamos lançar as bases da bondade
Não pudemos nós mesmos ser bondosos
Mas vós, quando afinal acontecer
Que o homem possa ajudar seu próximo
Não nos julgueis
Com muita severidade...
(Tradução de Mário Faustino)
Corre na internet uma tradução incompleta do poema, sob o título "Aos que virão depois de nós". Manuel Bandeira fez uma versão (inexata) sob o título "Aos que vierem depois de nós".
sábado, 1 de novembro de 2008
Pasta sobre Brecht
Artigos de José Antonio Pasta Jr. sobre Brecht:
"O mais duro recado que a experiência norte-americana dará ao trabalho de Brecht talvez seja a que se registra em uma nota de 1942: "A oportunidade especial que o marxismo teve na Europa não existe aqui. O sensacional desnudamento das práticas comerciais nos países burgueses indica que o marxismo surgiu como um iluminismo, efeito que não é possível aqui. Aqui você se vê diante de um Estado instituído diretamente pela burguesia, que em nenhum momento se envergonha de ser burguesa (...)". Salvo engano, o que Brecht registra aqui, com lucidez vertiginosa, é o limite objetivo que uma completa universalização da forma-mercadoria põe à eficácia do "efeito de distanciamento", mola fundamental de seu trabalho. Não tardaria muito para que esse limite estivesse em toda parte. Ainda uma vez, embora o recado venha do coração do império, será o "capitalismo colonial" que devolverá à Europa a imagem do seu futuro." (José Antonio Pasta Jr.)
- A beleza materialista (Folha, 1998)
- O livro das reviravoltas (Folha, 2000)
- Brecht por Bandeira (Folha, 2002)
- O exílio total (Folha, 2005)
"O mais duro recado que a experiência norte-americana dará ao trabalho de Brecht talvez seja a que se registra em uma nota de 1942: "A oportunidade especial que o marxismo teve na Europa não existe aqui. O sensacional desnudamento das práticas comerciais nos países burgueses indica que o marxismo surgiu como um iluminismo, efeito que não é possível aqui. Aqui você se vê diante de um Estado instituído diretamente pela burguesia, que em nenhum momento se envergonha de ser burguesa (...)". Salvo engano, o que Brecht registra aqui, com lucidez vertiginosa, é o limite objetivo que uma completa universalização da forma-mercadoria põe à eficácia do "efeito de distanciamento", mola fundamental de seu trabalho. Não tardaria muito para que esse limite estivesse em toda parte. Ainda uma vez, embora o recado venha do coração do império, será o "capitalismo colonial" que devolverá à Europa a imagem do seu futuro." (José Antonio Pasta Jr.)
Brecht - Dialética Proletária
“Não se pode escrever peças inteligentes hoje em dia sem conhecer as teorias de Marx” (Brecht)
Posto que a burguesia produz o proletariado, e que cresce em seu seio em um permanente conflito de interesses, que todavia é deslocado e posto na sombra por conflito das duas classes contra outras classes, a concepção de vida da classe proletária depende também da classe que o produz. Como sua maior criação filosófica a burguesia produz uma dialética. Esta é um modo de consideração que busca e encontra, em formações que surgem unitariamente, contradições crescentes; é um modo de consideração que guia o interesse para as mudanças, transformações violentas, evoluções. Esta dialética, esta filosofia da revolução experimenta sua grandiosa construção (em Hegel) em uma época em que a burguesia havia passado já mais ou menos por uma revolução e se encontra entregue já à conciliação das contradições de interesses, ao emperramento da evolução, tanto que todavia segue e se vê forçada a completar sua revolução. A construção da dialética por Hegel tem lugar na relação com o proletariado crescente, sob a pressão para a burguesia de produzir cada vez mais proletariado e de obstaculizar cada vez mais sua ameaçante emancipação. O proletariado adota como filosofia da revolução primeiramente a [filosofia] burguesa. A adota em um surpreendente ato de criação. Esta adoção é uma expropriação, esta aplicação é uma aniquilação. Assim como a burguesia faz tudo quanto está em suas mãos para explorar, em sua exclusividade, a revolução contra o feudalismo, assim também dá a luz a uma dialética que mostra todos os sinais de uma degeneração violenta. A obscuridade da linguagem hegeliana é a obscuridade de uma linguagem secreta: o mundo está em decadência, a humanidade se transforma. A imagem de Hegel tem isto em conta, porém a burguesia recém chegada, a classe que para fazer sua revolução necessitou de outra classe, do proletariado, e que para consolidar sua dominação deve fortalecer cada vez mais esta classe; a burguesia é um mal e inibido introdutor da dialética. O melhor introdutor é, por sua situação, o proletariado. A burguesia, contemplando a história, escreve uma história de transformações. Porém, este escritor não está em condições de declarar eficazes para o presente ou nem sequer para o futuro os princípios que encontra no passado: “houve história, (porém) já não há” [Hegel]. Bem, outro escritor escreve mais além: a dialética proletária (substituindo a capitalista) (se transforma em sentido materialista e se realiza pela ação) [Marx].
Tradução de Nildo Viana.
Nota: Este texto de Brecht foi provavelmente escrito durante seu exílio em Svendborg. Este fragmento não foi, até agora, publicado em livro. As notas entre parêntesis são de Karl Korsch, que fez alguns apontamentos nas margens do manuscrito e elas foram parcialmente recuperadas e aqui acrescentadas e as notas entre chaves são do tradutor.
Revista Possibilidades. Publicação do NPM - Núcleo de Pesquisa Marxista. Ano 1, num. 2, Out./Dez. de 2004. página 38.
Fonte: antivalor
Posto que a burguesia produz o proletariado, e que cresce em seu seio em um permanente conflito de interesses, que todavia é deslocado e posto na sombra por conflito das duas classes contra outras classes, a concepção de vida da classe proletária depende também da classe que o produz. Como sua maior criação filosófica a burguesia produz uma dialética. Esta é um modo de consideração que busca e encontra, em formações que surgem unitariamente, contradições crescentes; é um modo de consideração que guia o interesse para as mudanças, transformações violentas, evoluções. Esta dialética, esta filosofia da revolução experimenta sua grandiosa construção (em Hegel) em uma época em que a burguesia havia passado já mais ou menos por uma revolução e se encontra entregue já à conciliação das contradições de interesses, ao emperramento da evolução, tanto que todavia segue e se vê forçada a completar sua revolução. A construção da dialética por Hegel tem lugar na relação com o proletariado crescente, sob a pressão para a burguesia de produzir cada vez mais proletariado e de obstaculizar cada vez mais sua ameaçante emancipação. O proletariado adota como filosofia da revolução primeiramente a [filosofia] burguesa. A adota em um surpreendente ato de criação. Esta adoção é uma expropriação, esta aplicação é uma aniquilação. Assim como a burguesia faz tudo quanto está em suas mãos para explorar, em sua exclusividade, a revolução contra o feudalismo, assim também dá a luz a uma dialética que mostra todos os sinais de uma degeneração violenta. A obscuridade da linguagem hegeliana é a obscuridade de uma linguagem secreta: o mundo está em decadência, a humanidade se transforma. A imagem de Hegel tem isto em conta, porém a burguesia recém chegada, a classe que para fazer sua revolução necessitou de outra classe, do proletariado, e que para consolidar sua dominação deve fortalecer cada vez mais esta classe; a burguesia é um mal e inibido introdutor da dialética. O melhor introdutor é, por sua situação, o proletariado. A burguesia, contemplando a história, escreve uma história de transformações. Porém, este escritor não está em condições de declarar eficazes para o presente ou nem sequer para o futuro os princípios que encontra no passado: “houve história, (porém) já não há” [Hegel]. Bem, outro escritor escreve mais além: a dialética proletária (substituindo a capitalista) (se transforma em sentido materialista e se realiza pela ação) [Marx].
Tradução de Nildo Viana.
Nota: Este texto de Brecht foi provavelmente escrito durante seu exílio em Svendborg. Este fragmento não foi, até agora, publicado em livro. As notas entre parêntesis são de Karl Korsch, que fez alguns apontamentos nas margens do manuscrito e elas foram parcialmente recuperadas e aqui acrescentadas e as notas entre chaves são do tradutor.
Revista Possibilidades. Publicação do NPM - Núcleo de Pesquisa Marxista. Ano 1, num. 2, Out./Dez. de 2004. página 38.
Fonte: antivalor
Kuhle Wampe
Fragmentos do filme Kuhle Wampe oder: Wem gehört die Welt? (Kuhle Wampe, ou A quem pertence o mundo?, 1932), de Slatan Dudow e Bertolt Brecht. (Em alemão.)
Bertolt Brecht
Ensaio de Bertolt Brecht: Amplitude e variedade do modo de escrever realista (Estudos Avançados, set./dez. 1998, vol.12, no.34, p.267-276). Também em pdf.Textos de Brecht (em inglês): On Hegelian Dialectics (html); Writing the Truth: Five Difficulties (pdf).
Artigos de Sérgio de Carvalho sobre Brecht.
Transcrição de palestra de Iná Camargo Costa: Brecht e o Teatro Épico (03/05/2005).
Informações várias sobre Brecht (em inglês): International Brecht Society.
"O lugar do intelectual na luta de classes só pode ser determinado, ou escolhido, em função de sua posição no processo produtivo. Brecht criou o conceito de 'refuncionalização' para caracterizar a transformação de formas e instrumentos de produção por uma inteligência progressista e, portanto, interessada na liberação dos meios de produção, a serviço da luta de classes. Brecht foi o primeiro a confrontar o intelectual com a exigência fundamental: não abastecer o aparelho de produção, sem o modificar, na medida do possível, num sentido socialista." (Walter Benjamin)
Assinar:
Postagens (Atom)


